Geyssica Reis
A história do graffiti começa na Pré-história. Os desenhos feitos nas paredes das cavernas são as primeiras manifestações artísticas. A palavra graffitti tem origem italiana e significa desenhos riscados a ponta ou a carvão, em rochas, paredes etc. Na Pré-história, os desenhos pintados eram animais selvagens, caçadores, símbolos, a chamada arte rupestre. Para os arqueólogos, esses desenhos ainda são um enigma, mas sabe-se que era uma forma de expressão e para os homens daquela época existiam significados.
Os antigos romanos também tinham o costume de escrever manifestações de protesto com carvão nas paredes de suas construções. Eram palavras proféticas, ordens comuns e outras formas de divulgação de leis e acontecimentos públicos. Alguns destes graffitis ainda podem ser vistos nas catacumbas de Roma e em outros sítios arqueológicos espalhados pela Itália.
No século XX, no México, o Muralismo ressurgiu aliando-se com o movimento Revolucionário. Os artistas da época viram nestes movimentos uma forma de produzir uma arte muito mais popular e nacional, que realmente se identificava com seu povo. Grandes nomes foram Diego Rivera, José Clemente Orozco e David Alfaro Siqueiros, eles decoravam muros e edifícios das cidades, inspirando muitos grafiteiros atuais. Ainda no século XX, mais precisamente no final da década de 1960, jovens do Bronx, bairro de Nova Iorque (EUA), restabeleceram esta forma de arte usando tintas spray. Para muitos, o graffiti surgiu de forma paralela ao hip hop - cultura de periferia, originária dos guetos americanos, que une o RAP (música muito mais falada do que cantada), o break (dança robotizada) e o graffiti (arte plástica do movimento cultural). Nesse período, academias e escolas de arte começaram a entrar em crise e jovens artistas passaram a se interessar por novas linguagens. Com isso, teve início um movimento que dava crédito às manifestações artísticas fora dos espaços fechados e acadêmicos. A rua passou a ser o cenário perfeito para as pessoas manifestarem sua arte. Existem até mesmo dois filmes que retratam um pouco o início desse movimento. Foram “Wild Style”, de 1982, dirigido por Charlie Ahearn e “Beat Street”, de 1984, do diretor Stan Lathan.
Os artistas do grafffiti, também chamados de "writers" (escritores), costumavam escrever seus próprios nomes em seus trabalhos ou chamar a atenção para problemas do governo ou questões sociais.
Na Europa, no início dos anos 1980, jovens de Amsterdã, Berlim, Paris e Londres passaram a criar seus próprios ateliês em edifícios e fábricas abandonadas. O objetivo era conseguirem um espaço para criarem livremente. Nesses locais, surgiram novas bandas de música, grupos de artistas plásticos, mímicos, atores, artesãos e grafiteiros.
Muitos grafiteiros europeus e norte-americanos que viveram e trabalharam nesses espaços alternativos conseguiram levar mostrar suas obras além das fronteiras de seus países. Alguns exemplos desse movimento são: Jean-Michel Basquiat, Keith Haring e Kenny Scharf .
Graffitis nas ruas de Nova York
O Graffiti ganhou força também no Brasil
No Brasil dos anos 1950, vários murais arrematavam as fachadas dos edifícios narrando temas da história e da arte brasileira , como o realizado por Di Cavalcanti , com cerca de 15 metros de comprimento , na fachada do Teatro de Cultura Artística , na região central de São Paulo. Essedado sobre muralismo , junto com a pop art , já apontavam para origem do graffiti contemporâneo enquanto expressão artística e humana. Essa manifestação, que começa a surgir no Brasil já nos anos 1950, com a introdução do spray, segue pelos 1960, passa pelos 1970 e se consagra como linguagem artística nos anos 1980, conquistando seu espaço na mídia, chegando à exposições.
Nos anos 1990, o presidente da república Fernando Collor de Melo sancionou uma lei ambiental,de número 9.605, que entrou em vigor no início de 1998. Além de conceituar o graffiti e a pichação sem estabelecer distinção alguma, os declarava crime contra o meio ambiente passível de penalidades.
Depois dessa lei, os grafiteiros começaram a utilizar muito mais técnica nas suas artes, a perfeição, se tornou meta destes artistas, para mostrar ao povo que não era simplesmente um ato de vandalismo os trabalhos realizados por eles.
No século XXI, a população e principalmente aqueles que estavam envolvidos com arte começaram a enxergar de um modo diferente esta nova tendência chamada de “arte urbana”. Percebe-se isso até mesmo nos meios de comunicação que começaram a prestar muito mais atenção no graffiti. Dentre inúmeros eventos e exposições que aconteceram podemos destacar a 1ª Bienal de Graffiti em Belo Horizonte que aconteceu em 2008. O objetivo do encontro foi mostrar o graffiti como a obra de arte, sem preconceitos e a importância de se discutir os novos rumos da arte contemporânea. Além disso, essa iniciativa foi um facilitador de entendimento para as pessoas que só tiveram contatos superficiais com essa arte.
Em 2010, São Paulo recebeu a 1ª Bienal Internacional do Graffiti. Aconteceu no MuBE (Museu Brasileiro de Escultura) e reuniu mais de 60 grafiteiros de 12 países dentre eles, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Alemanha, Canadá, Austrália, República Tcheca, Japão, Argentina, Portugal, Chile e claro, Brasil. Além da exposição, a 1ª Bienal Internacional Graffiti Fine Art contou também com um ciclo de debates no MuBE sobre as relações entre graffiti e artes plásticas, graffiti e urbanismo e também sobre a ligação da arte urbana do Brasil com a feita no exterior.
Graffiti nas ruas de Belo Horizonte


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